10 passos para começar a investir

Publicado por Ricardo B.
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Se você leu e aplicou as dicas que passei em outros artigos, certamente já aprendeu o básico necessário para investir, conhece as principais opções em renda fixa, variável, alguns indicadores de mercado e, inclusive, já deve ter escolhido uma boa corretora de valores. Certo?

Agora, serei o mais sincero possível com você. Investir não é fácil e tão pouco, seja rápido. Como já disse, é algo que requer estudo e muita paciência. Não espere que eu diga, compre um lote de ações da companhia tal, naquela data ou quando acontecer isso ou aquilo. Isso seria a pior participação e contribuição que eu poderia ter na sua vida dentro do mercado financeiro.

O que vou mostrar daqui em diante é, como você pode se inserir no mercado para acumular patrimônio e não perdas. Então, vamos aos passos que deverão ser executados por você nesse momento:

1. Se posicione em relação ao mercado

Antes de mais nada, vamos posicioná-lo frente ao mercado financeiro. Você é um iniciante e, portanto, o seu perfil de investidor deve ser conservador. Em hipótese alguma, tente pular etapas e se “fantasiar” como um investidor avançado, de perfil arrojado. Deixe esse status para o futuro.

2. Foco em renda fixa

O que proponho para você iniciar no mercado financeiro é, deixar a renda variável apenas no seu ”radar” e não colocar nenhum tostão nessa modalidade de investimentos por enquanto. Você precisará concentrar todos os seus esforços apenas na renda fixa. Tudo bem? E fará isso, pelo período mínimo de 1 ano, antes que dê os primeiros passos em renda variável.

3. Reserva financeira emergencial

Em hipótese alguma, por menor que ela seja, invista qualquer quantia antes de ter criado uma reserva financeira para situações emergenciais.

Acredite! Se você começar a investir sem ter criado  uma reserva financeira, no primeiro sinal de desespero, a sua única saída será recorrer ao montante que possui aportado. Portanto, é fundamental guardar um determinado valor que tenha como objetivo proteger o seu investimento de eventuais emergências ou imprevistos.

O ideal é que essa reserva financeira acumule uma quantia equivalente a 3 e 6 meses do seu custo de vida mensal. Como citei no artigo “O que você precisa saber para começar a investir”, supondo que seu custo seja de R$ 2.500,00, seria necessário reservar algo entre R$ 7.500,00 e R$ 15.000,00.

Um detalhe importante para quem possui uma reserva financeira é, jamais se esqueça de repor os valores, sempre que precisar recorrer a ela, ok?

A escolha o local em que guardará a sua reserva financeira, deve ser de fácil acesso, para que você não demora muito tempo para resgatar o montante, caso tenha necessidade. Existem investimentos que o resgate gira em torno de D+1 (dia mais um), D+2 (dia mais dois), D+3 (dia mais três) e assim por diante. Isso significa que ao solicitar o resgate, o dinheiro será pago a você em dois, três ou quatro dias úteis. Portanto, pense em uma modalidade em que o dinheiro esteja disponível no mesmo dia, como uma poupança vinculada a conta corrente, por exemplo.

Uma ótima alternativa para a reserva financeira emergencial é aplicar toda a quantia no Tesouro Direto, comprando títulos do Tesouro Selic. Além dessa opção ter maior liquidez, ou seja, você pode sacar a quantia a qualquer momento sem acumular perdas, o rendimento é baseado em 100% da taxa selic. Portanto, é a opção mais conservadora e que ainda assim, fará com que o seu dinheiro tenha rentabilidade acima da poupança.

4. Distribua os aportes em investimentos de médio e longo

Como a ideia é criar um patrimônio, estimo que o investimento deverá ser feito pensando no médio e longo prazo. O que é ótimo para obter boas rentabilidades em renda fixa, ou seja, quanto mais tempo maior será o retorno e vice-versa.

Nesse caso, distribua ⅔ (66,66%) do valor da aplicação em longo prazo e ⅓ (33,33%) para o médio prazo. E qual seria esse prazo? Eu considero que entre 2 à 5 anos, seja médio prazo e, 6 anos até perder de vista, longo prazo.

Já a divisão em si, suponha que você realize aportes mensais de uma quantia razoável, como por exemplo R$ 1500,00 ou mais. Então, destine R$ 1000,00 para longo prazo e R$ 500,00 para o médio prazo. Caso os aportes não sejam tão altos, faça 2 aportes seguidos no longo prazo e depois 1 aporte no médio ou, 4 aportes seguidos no longo prazo e 2 aportes seguidos no médio prazo e assim por diante.

Essa diversificação é importante para que você consiga remanejar recursos sem que tenha perdas nesse processo, visto que nas opções de longo prazo, caso precise fazer isso, poderá ter prejuízos com multas e taxas.

Entre as opções de investimento, para médio prazo, aconselho que invista entre CDBs pós fixados com rendimento igual ou superior a 110% do CDI, LCI ou LCA igual ou acima de 95% do CDI ou o título Tesouro Prefixado, do Tesouro Direto.

No caso do CDB, LCI e LCA, quanto maior o prazo de vencimento, mais eles renderão acima do CDI, no entanto, pode ser que o valor inicial de investimento, exigido pelo banco ou corretora, seja alto. Por conta disso, prefira o Tesouro Prefixado, caso os seus recursos não sejam suficientes para ingressar nestas opções.

Já para o longo prazo, realize os seus aportes no Tesouro IPCA+, porém, opte pelo título principal, aquele que não paga juros semestrais.

5. Use um sistema para controlar os seus investimentos

Controlar os seus investimentos, seja através de uma planilha ou de um bom sistema de gerenciamento, é fundamental. Afinal de contas, você precisará acompanhar os seus aportes, identificar como está a rentabilidade desse ou daquele investimento.

Embora a planilha seja eficiente e moldada às suas necessidades, considere utilizar o controlAção!. Além de ser uma ótima plataforma, ela poderá contribuir com esse controle e também com os demais passos desse artigo.

6. Crie uma carteira virtual para monitorar o mercado de ações

A ansiedade de quem é iniciante no mercado financeiro é grande. Geralmente, as pessoas já querem sair comprando ações, negociar opções, enfim. O que proponho nesse passo é para que você fique pelo menos 1 ano “assistindo” o movimento do mercado de ações.

E como fazer isso? Dentro do controlAção!, você pode criar até 5 carteiras de investimentos, através do recurso de abas, um ícone com o sinal de mais, localizado no topo da sua carteira. Crie uma nova aba, dê um duplo clique na aba para renomeá-la e digite “Carteira Virtual”.

O objetivo dessa carteira é ser o seu radar para o mercado de ações. Será através dela que você estudará entre 5 a 10 ações de boas companhias. Não mais do que isso!

Após criar a sua carteira virtual, você colocará um depósito inicial na opção “Conta Margem” de R$ 100.000,00. Depois disso, em todos os meses durante um ano, realizará ordens de compra de apenas 1 lote de 100 ações das companhias selecionada, pelo valor atual da cotação daquele dia, para compor a sua carteira virtual. Caso o seu saldo seja insuficiente, faça um novo depósito de R$ 100.000,00 e assim por diante.

7. Escolha boas companhias para colocar no seu radar

Já falei sobre esse passo no artigo “Como escolher boas companhias para investir”.

A ideia aqui é separar o joio do trigo. Então, baseie-se no “Ranking de Ações” que disponibilizo no controlAção! e que não passa de uma derivação da “fórmula mágica” de Joel Greenblatt, porém com alguns ajustes que atendem o nosso mercado aqui do Brasil, para criar uma lista com 5 ou 10 ações que teoricamente, se destacam mais que as outras, por meio de um critério específico.

8. Aprenda com as ações da sua carteira virtual

Depois de selecionar entre 5 a 10 ações e criar uma carteira virtual, você deverá incorporar na sua rotina, um tempo para ler as notícias e se inteirar das atividades que as companhias estão realizando.

Nesse passo, quanto mais ler e estudar, melhor. Comece lendo a história das companhias, procure entender quais são suas missões, visões e valores. Veja quais são os prós e os contras de suas atividades e faça um paralelo dessas informações, com o atual cenário econômico do nosso país.

Para isso, considere se inscrever em sites relacionados a economia, ouvir podcasts de especialistas e, talvez a dica mais importante, participar efetivamente do canal de Relacionamento com Investidores que as companhias possuem em seus sites, o famoso RI.

Perceba que o objetivo desse exercício é conhecer profundamente as companhias de sua escolha. Essa prática ajudará a entender além das atividades, o impacto que as informações possuem na formação de preço dos ativos negociados por elas.

Se você precisar comprar uma lã para fazer tricô, por exemplo, pode ser que aceite pagar R$ 10,00 por ela. A princípio, você não saberá se o valor está caro ou barato! Porém, pode ser que uma tia próxima que pratique essa atividade com frequência, lhe aconselhe sobre isso. E o motivo disso é óbvio! Essa pessoa, certamente utiliza lãs de tricô com frequência, possui uma certa experiência sobre o preço e o discernimento necessário para distinguir se está caro, se o produto é de qualidade, enfim.

Então, arregace as mangas, dê a devida atenção ao assunto e comece a estudar as companhias que se tornará sócio pelos próximos anos.

9. Invista em renda variável

Depois de passar um ano inteiro investindo em renda fixa e estudando a renda variável, certamente você chegará ao final desse período, gabaritado a lançar as primeiras ordens de compra no mercado de ações.

Escolha dentre as ações da sua carteira virtual, aquela que você se sentir mais confortável dentre todas as companhias que analisou, para realizar a compra. É importante que você compre uma quantia razoável para que as taxas não elevem muito o seu preço médio.

Digamos que você tenha R$ 500,00 e a cotação atualizada da ação seja R$ 50,00. Se, somadas todas as taxas, você pague por exemplo R$ 10,00, significa que você comprará apenas 19 ações, com um preço médio de R$ 51,00. Ou seja, você mal começou e já está com prejuízo de quase 2%.

Portanto, é importante que você tenha pelo menos, o suficiente para comprar 99 ações no mercado fracionário ou um lote de 100 ações no mercado normal.

É óbvio que ao investir ao longo prazo, o valor da cotação não é tão relevante. Afinal, a idéia é mirar em boas companhias, certo? Porém, lembre-se sempre das migalhas que farão a diferença lá na frente.

Caso você não tenha recursos suficientes para realizar um aporte significativo, você deverá recorrer ao investimento de renda fixa. Lembra daquela diversificação de médio prazo, que citei lá no passo quatro e que representa 33,33% do seu investimento? É exatamente ele que você utilizará para isso. Faça o resgate e, assim que estiver em sua conta margem da corretora, faça a compra das suas ações.

10. Crie uma estratégia para você distribuir os seus investimentos

Nos meses seguintes, é bem provável que você não tenha novamente a quantia suficiente para adquirir mais um lote de ações. Portanto, continue com a estratégia de alocação temporária do dinheiro em renda fixa, naquela mesma proporção que citei no passo quatro e, assim que acumular, faça um novo aporte, porém, dessa vez em uma outra companhia da sua carteira virtual.

Durante o tempo que não conseguir comprar ações, é importante que siga com os estudos e analisando o movimento das companhias. Eventualmente, análise o Ranking que disponibilizei no controlAção! e, se necessário, faça a manutenção da sua carteira virtual, substituindo ações que perderam a sua credibilidade, por outras.

Não sei se você percebeu, mas indiretamente, dentro desses 10 passos, criei uma estratégia que tem como objetivo, manter 66,66% (⅔) dos seus investimentos em renda fixa e 33,33%(⅓) em renda variável.

Trata-se de uma estratégia conservadora que visa principalmente, a proteção do seu patrimônio, evitando que as perdas de curto e médio prazo do mercado de ações, tenham um impacto muito negativo dentro do acumulado geral de seus investimentos.

No decorrer dos meses, se esse balanceamento entre renda fixa e variável, pender mais para um lado do que outro, seja por valorização ou não de uma das modalidades, o ideal é que busque sempre equilibrar exatamente dessa forma, para cada três partes, duas em renda fixa e uma em renda variável.

Considerações finais

O mercado financeiro possui muitas outras alternativas e estratégias, bem mais atrativas até, do que essas que ensinei até aqui.

O que eu fiz nesses 10 passos foi ajudá-lo a entender como funcionam os conceitos básicos do mercado financeiro, para que você seja capaz de iniciar um investimento seguro, que tem como objetivo, proteger o patrimônio que criou com tanto suor.

A partir de agora, aconselho que estude muito, principalmente o mercado de opções e derivativos, para que consiga arriscar um pouco mais e ampliar, de maneira segura, o percentual de investimentos em renda variável, pois acredito que será essa modalidade que, além de proteger o seu patrimônio, proporcionará excelentes resultados ao longo dos anos.